Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de julho de 2016

evento cultural: duelo de mc's

Viaduto Santa Tereza: lugar em que ocorre o Duelo de Mc's e outros eventos populares, localizado entre o centro e o bairro que lhe deu o nome: Santa Tereza. É conhecido por ser um local de luta e de apropriação popular.

O Duelo de Mc's é um evento que ocorre aos domingos em baixo do viaduto já mencionado, e tem uma grande participação popular, pois além de ser gratuito e aberto, a festa possui uma identidade diversificada: possui a batalha de mc's, os quais se utilizam de um palco criado para a disputa; grupos de dança independentes, que se apresentam através do hip hop, do break, e outros estilos de danças urbanas; grafiteiros e artistas que produzem suas obras em tempo real. Além da diversidade musical, é muito comum ver ambulantes circulando no dia do festival - o que é fácil identificar em eventos populares.

Apesar do evento não possuir incentivos da prefeitura e ser símbolo de luta social, a parte de cima do viaduto também é interditada e acaba sendo palco para outro evento: o Festival Cidade Viva. Este, é incentivado pela prefeitura e ocorre em dias comuns ao Duelo. 


Duelo ocorrendo sob o viaduto

vídeo da intervenção

Intervenção realizada na Escola de Arquitetura, visando expor os banners dos alunos do TCC.

terça-feira, 5 de julho de 2016

representação e experiência presencial

Um dos motivos de grande preocupação do século XXI é como a mídias digitais se inserem na vida da humanidade, atrapalhando ou ampliando ainda mais as experiências e vivências pessoais e coletivas. Em um primeiro momento, devemos considerar que a concepção de espaço é muito abstrata e não há uma forma correta de defini-lo. Mas, de alguma forma, quando se trata do seu uso, as diferenças entre a representação e experiência presencial de um local são marcantes, mesmo sendo semelhantes e distintas. 

Durante a utilização do Street View, programa do Google que explora lugares em diferentes ângulos e escalas, para visualizar os arredores do Parque Municipal de Belo Horizonte, e durante a visita e a percepção presencial do local, pude perceber que as diferenças entre ambos vão além de uma barreira digital e física imposta nessa nova era tecnológica: os sentidos humanos são afetados, tanto o olfato; o paladar; a visão; a audição; o tato. Isso é marcante quando se trata, por exemplo, da dimensão dos elementos espaciais: ela não é perceptível da mesma forma no aplicativo e na realidade. Outros exemplos são o barulho do trânsito, das pessoas, da movimentação e da sua natureza; os odores do espaço; a sua temperatura; o seu clima; o seu corpo. Isso tudo se dá no nível do uso do espaço, feito pelas pessoas, diferentemente do que ocorre através da visualização nos computadores.

Além de tudo, há o tempo. O tempo é um fator fundamental que pode diferenciar os dois assuntos tratados. O tempo em que ocorre as interações no local não é o mesmo da representação. A representação não ocorre a todo instante, não captura o que acontece em todo segundo, em toda e qualquer fração de tempo em que multi-eventos humanos e naturais são espalhados pelo espaço.

Tanto o tempo, quanto o uso e tendo em conta as definições de Cassirer sobre o espaço: o espaço orgânico, o espaço perceptível e o espaço representativo, há um leque de fatores analisáveis que diferenciam a experiência presencial de sua representação, como o que foi discutido até aqui.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

seminário de design de interação

A partir de referências e investigação própria, os projetos escolhidos para o seminário de interação foram "Sandbox", de Rafael Lozano-Hemmer, e "Friendly Twist", da Coca-Cola.


Rafael Lozano-Hemmer, "Sandbox, Relational Architecture 17", 2010.
A partir de projeções e em busca de uma interação maior entre as pessoas considerando as mídias digitais, essa obra consiste em uma caixa de areia como base e a projeção de movimentos que ocorrem em sua superfície em um espaço da praia. Os resultados projetos na areia da praia são positivos em relação à questão da interatividade entre as pessoas, visto que os participantes realmente interagem com a interface criada, com movimentos corporais diversos e objetos, utilizando o espaço como um todo. Além de tudo, é interessante perceber que a surpresa e o empenho na brincadeira vêm dos dois lados, tanto da caixa de areia onde os movimentos das mãos são criados, quanto das pessoas na praia, pois são movimentos indeterminados que ocorrem de ambos os lados, sendo que um lado necessita do outro para funcionar.


Coca-Cola, "Friendly Twist", 2014.
Visando a promoção da interação entre as pessoas considerando um ambiente novo, como a faculdade, a Coca-Cola lança um sistema de encaixe em sua tampa de garrafa que só pode ser aberta quando conectada e rotacionada com outra garrafa da bebida. Dessa forma, são necessárias duas pessoas para que a garrafa seja aberta, provando que o grau de abertura do projeto é limitado e sua duração de interação bastante curta (depois que as pessoas conseguem abrir suas garrafas, elas geralmente não continuam a interagir, com muitas exceções, claro), mostrando assim uma finalidade bem pontual do projeto, caindo na armadilha da lógica finalística.




exposição: tranS(obre)por #09






A interessante exposição tranS(obre)por #09, de Marcelo Armani, abriga um conjunto de imagens e sons espalhados pelo ambiente local, usando imagens captadas na vida urbana cotidiana, muitas vezes situações que passam por nossos olhos e não percebemos. As caixas de sons instaladas pela exposição traz áudios antigos, urbanos e políticos, os quais têm ligação direta com as imagens, funcionando como uma espécie de guia pelo lugar, enquanto a imagem é física e imóvel.

O que chama também a atenção na instalação são os cabos vermelhos, que parecem estar lá para conectar as caixas de som e fazê-las funcionar, moldados sem formas específicas, mas não de qualquer jeito, há uma técnica na sua construção (algo ligado ao urbano, à cidade) que complementa a experiência da ambientação que a instalação cria sobre a pessoa que lê a obra.

Portanto, uma espécie de arquitetura sonora é montada, levando as pessoas a ver ou a re-ver situações corriqueiras mais profundamente.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

estratégias de apropriação do espaço

Parkour
O parkour é uma técnica e estratégia de apropriação do espaço que usa o corpo em alta velocidade para realizar movimentos diversos e acrobacias no espaço, utilizando objetos, estruturas e até a própria natureza presente no local, que geralmente é a grande cidade (devido a sua gama diversificada de utilidades e criações, oferecendo ao usuário da atividade um ambiente propício e tentador).



Flash Mob
Flashs Mobs são eventos que utilizam a dança e o corpo, além de uma grande quantidade de pessoas, com a finalidade de produzir uma perfomance em algum tipo de espaço que pode variar de acordo com a necessidade do ato. Vale lembrar que não é algo aleatório, há um certo nível de organização para que um flash mob possa ocorrer e assim se apropriar de um espaço.



Rolezinho
Ao contrário do que uma grande parte da população brasileira pensa, os rolezinhos são eventos organizados previamente através de redes sociais, e inconscientemente, uma forte denúncia social e de segregação espacial que veio se espalhando pelo país nos últimos anos do século XXI, nos quais grupos grandes de jovens (em sua grande maioria negros e pobres) se apropriam de espaços em busca de diversão. Esses ambientes geralmente são praças, parques e shoppings centers (este último é ainda mais comum que os demais e o mais noticiado pela mídia, pois pertence a iniciativa privada e há grandes chances de conflitos entre policiais e os jovens que costumam participar da mobilização).



Flaneur
Este é um termo pouco conhecido em relação aos demais citados até agora, e não é apenas devido à refinação da palavra, mas também à individualidade de sua prática. O flaneur é uma pessoa que anda pelo espaço sem objetivo aparente (para não dizer "finalidade", pois muitas vezes o flaneur se dedica, por exemplo, à observação espacial e suas características históricas e estéticas). Há muito o que se aprender visualizando a cidade e as ruas, e o praticante dessa "apropriação espacial" sabe muito bem disso.


Deriva
Todas essas estratégias de apropriação do espaço se encaixam na deriva urbana. Ela é um conjunto de resultados da vivência e do próprio descobrimento das cidades e das pessoas na modernidade, constituindo relações psicológicas, sentimentais e físicas entre o espaço-humano. Ela "se destina a superar a visão do território como terreno de atividades massificadas e previsíveis, a estimular a participação dos seres humanos enquanto personagens vivedores e não simples atores figurantes", segundo o conceito que o site reverbe.net utiliza para descrever a teoria da deriva. O estudo desse fenômeno constitui o 'pensar novo' para a cidade, olhá-la além do mercado e do trabalho. Junto a isso, apresenta também tentativas de reconstruir o espaço, onde os próprios habitantes são os agentes construtores.



domingo, 24 de abril de 2016

sobre muros e paredes das grandes cidades brasileiras

       A caverna, muito ligada ao conceito de moradia provisória durante um certo período inicial da história da humanidade, serviu também como instrumento de arte para o homem pré-histórico. Suas paredes, pintadas e desenhadas por pessoas que buscavam evocar criaturas e agradecer deuses, carregam mais que só pinturas. Elas são expressões de reflexões interioranas da humanidade, que partindo desse conceito, podem ser vistas ainda hoje, analogicamente comparadas aos muros e paredes das grandes cidades.

foto tirada por mim - Rua Rio de Janeiro, Belo Horizonte

       A construção de muros nada mais é que uma ferramenta de segregação espacial, criado pelo mercado em busca de "vender segurança". A partir do momento em que uma parede impõe uma barreira, delimitando o que está dentro como "seguro" e o que está fora como "perigo", ocorre uma desertificação das ruas, transformando o espaço urbano social "exterior" e individualizando ainda mais o "interior" (o qual já era individualizado), modificando assim toda uma estrutura que por algum momento tenha sido coletivista (o que é também errôneo dizer que não exista mais).
       Dessa forma, há uma tentativa de re-significar a cidade a partir da arte que foi impulsionada nas últimas décadas, encontrando no grafite e no pixo potencial para tal - expressar os sentimentos e emoções das pessoas, do social, da luta pela visibilidade e por direitos e também como local de interação social.

domingo, 13 de março de 2016

arquitetura versus vestuário

Digamos que a diferença maior entre ambos está na síntese de suas funções. Enquanto considerarmos a arquitetura como espaço privado para nós, sua função é quase exclusivamente nos encantar. Já o vestuário, sendo privado, acaba tendo a função de encantar as pessoas e não somente a nós. Os dois são produtos de um meio social, e inclusive, são ferramentas que procuram oferecer segurança aos humanos. Além disso, ambos surgem como uma tentativa de nos encaixar de algum lugar na sociedade. Acredito eu que há muito mais semelhanças entre arquitetura e vestuário do que diferenças, por isso, não consigo finalizar plenamente essa discussão.