terça-feira, 17 de maio de 2016

exposição: arqueologia existencial



Através de um ambiente multi-sentimental, Farnese de Andrade traz, em sua obra Arqueologia Existencial, um conjunto de peças e objetos que intrigam o olhar e até nos confunde em relação ao que sentimos no momento de sua observação e apreciação.



É uma obra intrigante, pois ao mesmo tempo em que nos desperta o medo, desperta também o afeto, constituindo um ambiente estranho e até mesmo assustador para os observadores. O artista utiliza desde bonecos de bebês à imagens de pessoas, acessórios, madeira e outros tipos de materiais, construindo dessa forma um espaço diversificado que possa expressar ou, pelo menos subjetivamente, sugerir tipos de emoções ao ser humano, os quais mesmo contraditórios, conseguem se fundir no momento em que a obra adentra ao leitor.

O salão em que foi exposta a obra no Palácio das Artes, aqui em Belo Horizonte, constitui em dois espaços tematicamente diferentes. Enquanto o primeiro espaço, partindo da entrada, traz para as pessoas as exposições em materiais, o segundo espaço, uma sala totalmente escura com alguns assentos, possui uma tela onde é projetado um video que mescla alguns itens da arqueologia de Farnese, a qual é uma resistência aos cânones modernistas da sua época.

















croquis do parque dos mangabeiras


Croqui de 5 minutos de duração. Confesso que me perdi um pouco no tempo devido ao fato de não poder tirar o lápis do papel.




Croqui sobreposto pelo Rogério

croquis da praça da liberdade


O local escolhido para fazer o croqui livre foi na alameda da praça, devido principalmente ao efeito da visão de quem está no local, a qual conduz até o Palácio da Liberdade, indicado pelas palmeiras, que além de árvores, tem a função de marcar o lugar.




Desenho sobreposto da árvore feito por três pessoas

croqui de arredores do parque municipal


O lugar foi escolhido devido às mudanças ocorridas no espaço que valorizaram mais o pedestre.

domingo, 24 de abril de 2016

sobre muros e paredes das grandes cidades brasileiras

       A caverna, muito ligada ao conceito de moradia provisória durante um certo período inicial da história da humanidade, serviu também como instrumento de arte para o homem pré-histórico. Suas paredes, pintadas e desenhadas por pessoas que buscavam evocar criaturas e agradecer deuses, carregam mais que só pinturas. Elas são expressões de reflexões interioranas da humanidade, que partindo desse conceito, podem ser vistas ainda hoje, analogicamente comparadas aos muros e paredes das grandes cidades.

foto tirada por mim - Rua Rio de Janeiro, Belo Horizonte

       A construção de muros nada mais é que uma ferramenta de segregação espacial, criado pelo mercado em busca de "vender segurança". A partir do momento em que uma parede impõe uma barreira, delimitando o que está dentro como "seguro" e o que está fora como "perigo", ocorre uma desertificação das ruas, transformando o espaço urbano social "exterior" e individualizando ainda mais o "interior" (o qual já era individualizado), modificando assim toda uma estrutura que por algum momento tenha sido coletivista (o que é também errôneo dizer que não exista mais).
       Dessa forma, há uma tentativa de re-significar a cidade a partir da arte que foi impulsionada nas últimas décadas, encontrando no grafite e no pixo potencial para tal - expressar os sentimentos e emoções das pessoas, do social, da luta pela visibilidade e por direitos e também como local de interação social.

sábado, 2 de abril de 2016

croquis da escola de arquitetura

Vista interna com um ponto de fuga - Salinha de Jogos


Vista interna com dois pontos de fuga - Salinha que dá acesso à biblioteca


 Vista externa com um ponto de fuga


Vista externa com dois pontos de fuga

quarta-feira, 30 de março de 2016

pensando sobre os objetos

Em relação a aula do dia 17/03, na qual foi pedido a nós, alunos, para que levássemos algum objeto que nos representasse, ocorreu o que seria mais provável: todos, inconscientemente, ficaram atrelados às lógicas causalísticas e finalísticas e não à lógica programática do entendimento flusseriano (lógica do absurdo, do acaso). Meu objeto apresentado foi um cabo USB, que partindo da sua utilidade mecanicista, ou seja, da forma causalística - conectar aparelhos celulares a computadores, por exemplo -, relaciona-se com a forma finalística, de modo a evidenciar uma ideia de conexão.

Nesse contexto de conectividade, chamei a atenção para as pessoas com quem me relaciono (amigos, por exemplo) e a união que é estabelecida entre elas e essa ponte de ligação metaforicamente representada pelo cabo, que no caso sou eu. Além disso, as outras ligações que fiz tiveram propósitos finalísticos, como a que fiz com o mapa da cidade de Belo Horizonte, o qual representa minha conflituosa sensação atual num local completamente novo: um sentimento de liberdade ao mesmo tempo que caminho preso a um pedaço de papel ou ao Google Maps, programa de localização por mapas.

A segunda ligação, mais abstrata, mostra algo que me representa como pessoa (um "pulo" bem alto para longe da lógica programática): um pedaço de papel completamente em branco, no qual alguém pode escrever, pintar, desenhar, rabiscar da forma que quiser. É dobrável, maleável, mas se rasga se não for usado com cuidado.

Além dessa discussão e tentando retornar ao assunto da lógica programática, deixo aqui algumas considerações. Para que haja uma relação programática entre os objetos devemos considerar o cabo USB como estrutura, assim como alguns projetos arquitetônicos são descritos no livro Lições de Arquitetura, de Herman Hertzberger (devem ser flexíveis e libertários, mas ao mesmo tempo não pode se deixar levar pela arbitrariedade, pelo caos). Por fim, pensar os objetos a partir de sua materialidade é algo importante, e até no baralho - se considerado como lógica programática - há um limite que pode ser observado na quantidade máxima de números e na diferenciação de tipos de cartas, não deixando assim ser possuído pelo caos, o que não impede que a lógica programática ocorra ao acaso.

domingo, 20 de março de 2016

o conjunto arquitetônico da pampulha

Antes de mais nada, essa pesquisa foi feita em trio com os colegas Rogério Ribeiro e Rafaela Regina.


Os princípios de Le Corbusier
Resultado da pesquisa publicada pela revista L'Esprit Nouveau em 1926, Os Cinco Princípios da Arquitetura Moderna, de Le Corbusier, representam conceitos estéticos e formais que tem por finalidade proporcionar mais liberdade no processo de criação arquitetônica. São eles:
  • Terraço Jardim: transferência da área de lazer para o terraço.
  • Fachada Livre: independência da fachada como elemento estrutural, podendo ser utilizado material vazado, vidro ou mesmo vão aberto.
  • Janelas em Fita: consiste na cobertura da fachada por um conjunto de janelas, sem afetar a estrutura do projeto.
  • Planta Livre: consiste na criação de uma estrutura que permita a livre locação de paredes, uma vez que elas não mais funcionam como elemento estrutural.
  • Pilotis: sistema de construção baseado na utilização de pilares.
Tais princípios serviram de base para o estilo modernista, ganhando tamanha notoriedade que se tornaram influência para grande parte das obras do arquiteto Oscar Niemeyer, em especial para o Complexo da Pampulha, em Belo Horizonte.


O Complexo da Pampulha
Formado por cinco edificações principais e um lago artificial, o Conjunto Arquitetônico da Pampulha foi responsável por alavancar a noturna circulação de pessoas (em especial, as elites) numa região antes pouco povoada da cidade na década de 40 (conformando assim um ambiente de status), que coincidia com o período da crescente industrialização brasileira concentrada no sudeste do país. Essa época também é enormemente influenciada pelo modernismo brasileiro, que encontra em Belo Horizonte um espaço ideal para se desenvolver, tornando intrínseca a relação do movimento com o Complexo.

"Era um protesto que eu levava como arquiteto, de cobrir a igreja da Pampulha de curvas, das curvas mais variadas, essa intenção de contestar a arquitetura retilínea que então predominava" disse Niemeyer sobre a obra na Pampulha. Além disso, a utilização dos pontos de Le Corbusier marca todo o projeto, sem contar a época do Estado Novo, tempo em que a construção de um Estado Nacional, ideologicamente e politicamente forte, necessitava de uma nova arquitetura que refletisse a vontade de modernização do país.



Construção da Igreja de São Francisco de Assis, umas das edificações do Conjunto da Pampulha. Nela, Niemeyer aproveitou a plasticidade do concreto para inovar na criação da capela, a qual inicialmente foi mal recebida e recusada pela Igreja Católica.



A casa do baile, como o próprio nome diz, foi construída para entreter as pessoas da região com apresentações artísticas diversas para o lazer noturno, com apresentações musicais e danças. Como pode ser observado, um dos elementos que mais chama atenção é a marquise solta e curva que conduz até a entrada do prédio (situada, inclusive, numa ilha que está ligada apenas por uma ponte, diferentemente do local das outras projeções que lembra um certo tipo de península). Apesar disso, após o fechamento do Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha), a Casa do Baile encerrou suas atividades, e só retornou em 2002, dessa vez como Centro de Referência para Arquitetura, Urbanismo e Design.










Construído inicialmente como Iate Golfe Clube, o Iate Tênis Clube foi construído como um lugar para a prática de esporte e o entretenimento da população. A sede do iate possuí forma de um barco, que se lança pelo espelho d'água. Em 1960, a prefeitura decidiu vender o imóvel para arrecadar dinheiro e financiar obras.














O Cassino, atual Museu de Arte da Pampulha, foi a primeira construção a ser desenhada, sendo entregue em 1942. Planejada originalmente como uma construção única, o projeto ganhou nova magnitude após reuniões de Niemeyer com o então prefeito Juscelino Kubitschek, que propôs a criação de um bairro residencial de alto nível acrescido dos projetos que hoje formam o Complexo Arquitetônico. A proposta de Niemeyer foi de uma luxuosa casa de jogos moderna que tira proveito máximo de seu local de implantação.

O projeto conta com forte influência da arquitetura modernista, sendo projetada em concreto armado com o uso de pilotis e planta livre. A criação de uma fachada livre com o uso de janelas em fita também contribui para o diálogo entre as áreas interior e exterior, proporcionando uma atmosfera convidativa e reforçando a elegância da construção.

Ocupou a função de Cassino até 1946, ano em que o jogo se tornou ilegal. Após alguns anos de fechamento, a obra retomou-se como o atual Museu da Arte, servindo não só como exemplo integral de mobilidade do projeto como também abrigando obras e exposições de destaque da arte contemporânea.